Treinamento a distância em alta nos EUA. Brasil segue tendência - Monitor da Educação Corporativa
Treinamento a distância em alta nos EUA. Brasil segue tendência
O maior investimento previsto para 2015 em treinamento é em educação a distância. No Brasil, um terço das empresas já utilizam.
Campus Party, em São Paulo
Para especialistas, o processo caminha naturalmente para a educação mediada por computadores (Foto: Agência Brasil)
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28 - nov - 2014
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Para as empresas industriais norte-americanas, a educação corporativa de seus quadros significa cada vez mais utilizar o treinamento a distância, e elas estão puxando esse mercado de treinamentos para cima: segundo o relatório 2014 Training Industry Report, da publicação especializada Training, os maiores investimentos previstos na área de treinamento para 2015 ocorrerão em sistemas e equipamentos para educação online (44% das indústrias ampliarão seus investimentos neste item) e para os ambientes virtuais de aprendizagem (LMS, na sigla em inglês), que contarão com maiores investimentos de pelo menos 41% das empresas industriais.

Outras metodologias associadas e pouco convencionais também se destacam, como o uso do celular (mobile learning), que vai crescer em 23% das indústrias. Investimentos tradicionais mais relacionados com a educação presencial, como transporte e acomodação, terão uma incrementação de investimentos bem menor (apenas 7% vão gastar mais nesse item em 2015).

Esses índices são bem maiores do que aqueles encontrados para o mercado de treinamentos em geral, que também cresceu dois dígitos. O relatório indica que houve, em 2013, nesse mercado, um crescimento de 11,5% no total investido (de US$ 55,4 bilhões, em 2013, para US$ 61,8 bilhões neste ano), além do aumento do investimento em folha de pagamento com pessoal relacionado a treinamento (6,2% a mais, de US$ 39,9 bilhões em 2013 para US$ 42,4 bilhões neste ano).

Um terço das empresas brasileiras utilizam

No Brasil, quase um terço das empresas já utilizam a internet para treinar seus funcionários, mais precisamente 31%, segundo a pesquisa TIC Domicílios e Empresas 2013, feita pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). Para quatro especialistas neste mercado ouvidos pelo Monitor da Educação Corporativa, a tendência é de crescimento acima da média.

“Os cursos online cresceram, em nossas matrículas, 36% em 2013, bem mais que os presenciais, com 20%”, relata Antônio Carlos Kronemberger, diretor acadêmico e de soluções corporativas do Ibmec, instituição focada em formação para empresas e negócios. Para ele, a educação a distância tem uma relação muito próxima com o mundo corporativo, em alguns aspectos melhor que a da presencial. “O grande paradigma da prova presencial, que requer memória, já mudou, não é? Numa empresa, o que se valoriza é a colaboração, ou a iniciativa de encontrar uma informação e tomar decisões com ela. São critérios adequados para o treinamento a distância, que podem ser valorizados por um ambiente virtual, com mais controle e análise sobre a produção de um aluno”, diz ele.

E o espaço para crescer no Brasil é ainda grande. “Cerca de 12% da verba nas empresas brasileiras vai para treinamento a distância, chegando a 20% se forem considerados os programa híbridos, com parte presencial. Nos EUA, isso passa de 50%”, diz Maira Latorre Lopez, executiva de contas responsável por projetos de educação a distância do Senac São Paulo, uma das instituições com maior portfolio de cursos online para empresas. “O Brasil passa por um momento de consolidação do treinamento online. Ele tem crescido não só por causa das vantagens dos cursos a distância, mas também porque as áreas de tecnologia tem crescido como um todo”, diz Maira.

“Subir no trem com ele andando”

Esse caminho que leva ao treinamento a distância deve ser abreviado pela necessidade de superar o abismo que há no contexto econômico brasileiro e que indica, de um lado, grandes investimentos em infra-estrutura e cada vez mais presença de empresas globais; e de outro o apagão de mão-de-obra para fazer frente a esses desafios. Para Eduardo Alves, executivo do Instituto Monitor, mais tradicional instituição de ensino a distância profissionalizante do país, “se for necessário treinar num ambiente muito demandante, pressionado pelo mercado, ou seja, subir no trem com ele andando, não dá para fazer só do modo antigo, é preciso pensar novas formas. O treinamento a distância tem sistemas e plataformas que superam o presencial ao dar mais controle sobre o processo e resultados bem medidos”, afirma Alves, referindo-se aos sistemas de gestão online e apoios que permitem a qualquer momento simuladores, vídeos com textos complementares, atividades interativas, jogos e até o atendimento síncrono de especialistas.

As vantagens do treinamento online também são um trunfo para Stavros Xanthopoylos, vice-diretor do FGV/IDE, outra instituição pioneira, na formação superior a distância para negócios. Para ele, “investir em tecnologia é uma ótima saída porque você alinha a capacitação ao objetivo da empresa, tendo gestão de aprendizagem dinâmica entre o que o profissional aprende e aplica. Então você aproveita as vantagens da capilaridade, das redes sociais como unidades de prática que alavanca o processo de formação de pessoas e o custo inferior em todos os sentidos. Estamos numa fase pós gestão do conhecimento da empresa. Isso hoje está atrelado ao desenvolvimento da empresa entre seus funcionários”, diz.

Mas há no Brasil algumas barreiras nesse atalho. Para Xanthopoylos, as resistências à metodologia a distância ainda são grandes. “Embora os investimentos cresçam, no Brasil ainda temos empresas que tem restrição à formação online na contratação de profissionais qualificados, principalmente graduação, o que não se justifica. Precisamos mudar isso para que o Brasil consiga avançar também nos números de investimento em EAD”, diz ele.

Maira Lopez, do Senac, também vê estranhamento em outro campo, na tolerância dos próprios funcionários submetidos ao treinamento online. “A resistência à educação a distância vem mais dos colaboradores do que das empresas. Estas percebem as vantagens, já os colaboradores, na maior parte, vieram de uma educação presencial, e ainda não assimilaram a novidade”.

Kronemberger, do Ibmec, acredita que o contexto geracional trabalha a favor de cursos do tipo. “A geração Y, que é de nativos digitais, ainda não é paradigma nas empresas, mas está chegando, e vai provocar uma evolução na educação corporativa que não é só tecnológica, mas também metodológica e comportamental”, diz ele. E cita a gamificação e a grande mobilidade com o uso do celular como exemplos de demandas modernizantes nas metodologias de ensino corporativo.

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