Educação formal não basta para melhorar produtividade, diz Profuturo - Monitor da Educação Corporativa
Educação formal não basta para melhorar produtividade, diz Profuturo
Até 2023, a média de anos de estudo crescerá, principalmente na classe C, mas o aumento da produção virá se houver investimento em educação profissional técnica e gerencial nas empresas.
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9 - jul - 2014
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O acesso à educação é uma das maiores preocupações dos brasileiros, como aparece em diferentes pesquisas nacionais. Em 10 anos, haverá um crescimento no total de anos de estudo, mas ainda não há perspectivas para grandes mudanças estruturais no país.

A previsão é feita pelos pesquisadores do Profuturo/FIA (Programa de Estudos do Futuro da Fundação Instituto de Administração) que analisaram cenários para o perfil de consumo, geração de renda e educação da base da pirâmide social do Brasil até o ano 2023.

Eles levantaram perspectivas de um grupo de 186 pessoas entre sócios e diretores de empresas, gerentes, supervisores, consultores, analistas e professores com títulos de MBA, mestrado e graduação. Para chegar aos resultados, a pesquisa se baseou no método Delphi que permite identificar previsões a partir de um grupo de especialistas.

O trabalho aponta para um crescimento na média de anos de estudo passando de 7,4 em 2011 para 9 anos em 2023 alavancado pelo aumento da educação na classe C. Nesse grupo, a média deverá ser de 10 anos de estudo.

Segundo os pesquisadores, o acesso à educação será mais limitado entre as classes D e E pela menor renda disponível para gastar e por dependerem mais das ações governamentais.

A pesquisa aponta para oportunidades de negócios para as empresas que atuam especialmente nas áreas de educação, serviços de saúde, higiene e cuidados pessoais e alimentação. Também há espaços promissores no mercado de lazer, turismo, cultura, entretenimento e serviços financeiros.

Na análise do professor James Wright, coordenador do Profuturo, o Brasil poderá ser mais ativo mundialmente no mercado direcionado aos padrões de consumo da base da pirâmide. “O Brasil tem a oportunidade de atender muito bem esse público. Ainda é um país líder em tecnologia e gestão de negócios entre os emergentes. Nossa experiência capitalista é maior que a da China e a da Índia”, destaca.

Produtividade em alerta

Os especialistas, no entanto, não vêm perspectiva para mudanças estruturais em educação, perfil do emprego e aumento da produtividade. Para Wright, os investimentos precisarão ser muito mais ousados aumentando a produtividade e a renda para que o Brasil se torne competitivo, no ritmo de outros países emergentes.

A produtividade, como enfatiza o professor, é um grande desafio. “Até agora, o país cresceu porque aumentou a população economicamente ativa e a economia inchou, mas a média anual de crescimento da produtividade é de 1%”, explica.

Wright destaca pontos cruciais mudar esse panorama: o investimento em infraestrutura física do país como portos, armazéns e meios de distribuição, nas comunicações por meio da informática e telecomunicações, e na inovação nas empresas criando produtos e serviços de maior valor agregado.

As empresas deverão se preparar para esse novo cenário em três áreas principais, na opinião do professor. É necessário investir na educação profissional, técnica e gerencial dos seus colaboradores. Elas precisarão desenvolver produtos e serviços inovadores para atender os mercados nacional, e também internacional de países emergentes da África, além dos Estados Unidos e Europa. É fundamental que as empresas pressionem o governo para aumentar a eficiência do setor e reduzir os custos da máquina pública.

Renda e consumo em 2023

A renda dos brasileiros deverá se manter próxima dos patamares atuais até 2023, apesar dos grandes eventos no país, a Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas em 2016.

O estudo prevê migração entre classes, com parte da população passando da classe C para a B, mas isso não vai impactar em uma nova estrutura de renda no país.

Assim, a base da pirâmide deverá representar 85% do total da população brasileira, em 2023. Os analistas acreditam que esse cenário vai se formar, em parte, devido ao esgotamento das políticas de redistribuição de renda e inclusão por meio de transferências e ações do governo não acompanhadas por incrementos em educação e produtividade no país.

A renda mensal média familiar na base da pirâmide será de até 10 salários mínimos para 85% dos brasileiros. A maior das despesas (89%) estará distribuída entre habitação (32%), alimentação (22%), transportes (18%) assistência à saúde (9%), vestuário (8%). Dessa forma, as famílias continuarão usando a renda em itens básicos, mas haverá crescente interesse em investir em outras despesas como educação, cuidados pessoais e lazer.

Criado em 1980, o Profuturo vem estudando a base da pirâmide populacional do Brasil desde 1993. De acordo com o professor Wright, as primeiras análises mostravam que as empresas não acreditavam que seria uma boa oportunidade oferecer produtos e serviços para as classes C, D e E. Desde então, a percepção mudou, as empresas criaram mercado, mas ainda não aproveitaram a oportunidade de ganhar espaços internacionais e correm o risco de perder esse bonde.

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